Métrica para quê?

Saturnália

 

Leve o meu coração, guarde-o no seu baú de vento

Entre as fábulas roubadas, entre os tolos, dê-lhe assento

Afogue-o no mar da realidade, arranque dele este brio.

Já é homem sabido e velho, tire dele o voraz frio.

 

Lave o meu coração, eu já não quero pertencer

Aos poetas, vis amantes, à terra do fugaz prazer

Ai de mim! Sou tão pequeno, pulsos finos, sou quebrado.

Olhos fundos e querosos, sempre amando, nunca amado

 

Leve o meu coração para longe dos meus sonhos

Para longe do meu peito, de suspiros enfadonhos

Eu me desequilibro no telhado e d’amargo luar, fujo

Lava o meu coração, órgão louco, cego e sujo

 

Leva o meu coração, corre e leva bem distante,

Estou cansado do pulsar, gago, surdo e hesitante

Agora que o levaste, nunca mais o devolva a mim

Mate-o no meu jardim de lágrima, enterre-o neste apertado “fim”. 

    

Tiago Leão

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